RN fica fora do ranking das melhores cachaças do Brasil


Por Cíntia Bertolino
Especial para o Estado, de Analândia
Depois de dois dias de provas, de manhã e à tarde, os membros da Cúpula da Cachaça, um grupo de especialistas na bebida, conseguiram fazer um ranking das melhores cachaças brasileiras. A ideia de eleger as melhores vinha sendo amadurecida havia tempo e o processo teve várias etapas até a final (entenda como foi o processo aqui), no último fim de semana, quando os 11 membros do júri se reuniram em Analândia, a 238 km de São Paulo, no noroeste do Estado, e, ao longo de dois dias, provaram as 60 cachaças finalistas – para chegar à lista final das 50 melhores.
A prova foi feita às cegas. Longe da vista dos degustadores, as cachaças foram colocadas em garrafas idênticas – de 600 ml – e numeradas. A prova foi realizada em quatro baterias diárias (duas pela manhã, duas à tarde). Começou com as brancas, mais neutras, até chegar às envelhecidas, mais complexas.
As 50 melhores cachaças formam o 1º Ranking da Cúpula da Cachaça que o Paladar divulga hoje com exclusividade e em primeira mão: até os juízes estão vendo os resultados pela primeira vez nesta edição.
Amostra. As 60 cachaças finalistas foram produzidas em oito Estados: Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Entre as 50 selecionadas, 56% delas são de Minas Gerais, onde quase 50% de todo o volume é produzido em alambiques. O Rio de Janeiro contribuiu com 20% e o Rio Grande do Sul, com 10%.
A predominância de garrafas do Sudeste reflete a tradição de alguns Estados produtores, mas também o mercado distribuidor. Embora existam milhares de cachaças no País, a produção do Sudeste domina mais de 70% do mercado. É um convite para descobrir cachaças produzidas em outros Estados.
As madeiras mais presentes no envelhecimento da bebida são bálsamo, muito apreciado em Salinas, e que confere aromas de especiarias, com destaque para o anis estrelado; a umburana, muito aromática e que dá cor e aroma adocicados de canela às mais envelhecidas; o jequitibá rosa, mais comedido na transferência de aromas e cores; e o carvalho, com sua característica coloração âmbar (atributo das bebidas mais velhas) e notas de baunilha.
Ao longo da prova, o que mais impressionou os juízes foram a qualidade e a diversidade das cachaças. A maioria teve boa avaliação visual, sinal que os produtores estão dominando muito bem a filtragem e o engarrafamento da bebida. Poucas amostras apresentaram problemas. Segundo os degustadores, foi possível identificar tentativas de imitação de cachaças célebres, como o da mítica Anísio Santiago/Havana.
O debate também apontou a necessidade de padronizar as informações contidas nos rótulos da bebida. Um rótulo padrão, com informações básicas sobre o produto, certamente seria vantajoso para quem gosta de saber o que está bebendo.
Algumas garrafas obrigam o consumidor a um trabalho detetivesco para descobrir, por exemplo, se a bebida foi envelhecida, por quanto tempo e em que tipo de madeira. Ou se foi armazenada em inox ou tonéis de madeira e por quanto tempo. Enquanto a legislação define claramente a classificação Envelhecida, Premium e Extra Premium, as armazenadas não precisam dizer no rótulo onde descansaram e por quanto tempo.
O estudo do papel das madeiras nativas no envelhecimento da bebida foi apontado como caminho para a evolução do mercado. No Brasil, há 24 tipos de madeira catalogados e aprovados para envelhecer cachaça.
VEJA O RANKING DAS CACHAÇAS ABAIXO NO LINK
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