Operação Binário Perfeito foi deflagrada nesta terça
(15) em Caicó e Natal. Polícia afirma que suspeitos modificaram o banco
de dados da empresa.
Rafaela Pereira Gurgel Silva de Mello é advogada
(Foto: Igor Jácome/G1)
A Polícia Civil do
Rio Grande do Norte prendeu na noite desta segunda-feira (14), em
Currais Novos,
na região Seridó do estado, um casal suspeito de aplicar golpes que
podem ter causado um prejuízo, em dois meses, de aproximadamente R$ 3,5
milhões na empresa de marketing multinível NNex, que possui sede em
Belo Horizonte,
Minas Gerais.
Os mandados de prisão foram expedidos pelo juiz Luiz Cândido Villaça,
da comarca de Caicó. A operação foi batizada de Binário Perfeito - uma
alusão à linguagem de codificação da internet.
Tarcísio Nóbrega de Mello Júnior é empresário
(Foto: Igor Jácome/G1)
Na manhã desta terça (15), policiais da Delegacia Especializada em
Defraudações e Falsificações cumprem mandados de busca e apreensão em
Caicó e em
Natal.
Segundo o delegado Júlio César Costa, titular da Especializada, os
mentores do suposto esquema são o empresário Tarcísio Nóbrega de Mello
Júnior e a mulher dele, a advogada Rafaela Pereira Gurgel Silva de
Mello, proprietários da Veloz-Net.com, especializada em serviços de
provimento de acesso à internet. Ainda de acordo com o delegado, ambos
responderão por estelionato e, eventualmente, lavagem de dinheiro. Os
suspeitos negam o crime. Em Natal, a polícia também cumpriu um mandado
de busca e apreensão numa residências no bairro de Neópolis, que
pertence ao casal. Computadores e documentos foram recolhidos.
O
G1 teve acesso exclusivo ao inquérito instaurado
pelo delegado. Nele, consta que foi a própria NNex quem ofereceu
denúncia. O documento afirma que os suspeitos modificaram informações
existentes no banco de dados da empresa e transformaram taxas cobradas
por atividades digitais em créditos vultosos, cujas transferências
bancárias foram concretizadas até o dia 15 de agosto deste ano, quando a
empresa descobriu as fraudes devido à considerável movimentação
financeira. Além do casal, outros empreendedores digitais também teriam
obtido vantagens patrimoniais ilícitas após adulterarem o banco de dados
da empresa por meio de três fraudes cometidas pela rede internet.
Na primeira fraude, o delegado explica que os suspeitos utilizaram
meios fraudulentos para enviar tickets eletrônicos -chamados e-vouchers
vip - para a divisão de lucros da empresa, “gerando créditos ilegais
exorbitantes no banco virtual (sistema de gerenciamento dos ganhos
pecuniários e transferências bancárias), que foram transferidos para as
suas contas bancárias cadastradas no sistema”. Nesta modalidade, a NNex
constatou fraudes em aproximadamente 700 logins de empreendedores
digitais, dentre eles 23 logins que se reportam ao nome da
Veloz-Net.com. Ainda segundo levantamento apresentado pela NNEx, a
fraude gerou um prejuízo financeiro em torno de R$ 500 mil.
Carro de luxo foi apreendido na casa dos suspeitos, em Caicó (Foto: Igor Jácome/G1)
Na segunda fraude, a investigação aponta que o casal modificou o banco
de dados da NNex, alterando uma taxa cobrada à título de encargos de
transferência bancária, que é de R$ 5,90, para importâncias vultosas,
cuja materialidade do crime encontra-se firmada por meio dos espelhos
dos extratos financeiros extraídos do banco virtual do sistema da
empresa, como também por meio dos comprovantes de depósitos. “Aqui, as
fraudes feitas no back office dos empreendedores totalizam a
impressionante marca de aproximadamente R$ 2 milhões, deixando claro que
Tarcísio Nóbrega de Mello Júnior e Rafaela Pereira Gurgel Silva de
Mello foram os mentores e os grandes beneficiados pelos golpes
consumados no sistema de automação da empresa”, afirmou o delegado.
Já na terceira e última modalidade, o delegado Júlio Costa relatou que
foram feitas transferências de titularidade dos logins de diversos
empreendedores afiliados, “quando os golpistas alteraram
substancialmente o valor da taxa cobrada pela empresa, gerando créditos
no banco virtual que gerencia as bonificações por eles recebidas,
transferindo os valores para as contas bancárias cadastradas no sistema a
exemplo do que ocorreu na segunda modalidade de fraude. Esta fraude
gerou um prejuízo de aproximadamente R$ 1 milhão, mas a empresa ainda
não apresentou a documentação comprobatória desta espécie criminosa”,
detalhou.
NNex
O gerente operacional da NNex, Eugênio Pachelle Costa, declarou à
polícia que foram realizadas 123 mudanças fraudulentas de titularidade
de logins de empreendedores, “tendo os CPFs do casal investigado
registrados como destinatários dos créditos gerados pelos logins de
origem, quando os indigitados modificavam o custo pela geração da
mudança de titularidade (R$ 50) em créditos vultosos”.
Ainda de acordo com o gerente, a NNex desenvolve atividade econômica de
venda direta de produtos e serviços e a prestação de serviços de
divulgação, publicidade e comunicação na internet, remunerando a pessoa
que se afilia à empresa (conhecida como empreendedor digital) por meio
de tickets eletrônicos chamados e-vouchers vip e e-vouchers express. Os
primeiros são usados apenas como cupons-descontos junto à rede parceira.
Os outros podem, também, ser enviados para a divisão de lucros da
empresa, advindo daí uma das formas de remuneração pecuniária do
afiliado.
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