'Caçador' de tempestades, brasileiro encara cenário extremo no windsurfe



Marcilio Browne é o Brasil na decisão do Storm Chase, evento em locais extremos, confirmado apenas com tempestades com ventos de até 100km/h

Velejador cearense Marcílio Browne (Foto: Thorsten Indra / Red Bull Content Pool) Marcílio Browne é o Brasil na final da Storm Chase
(Foto: Thorsten Indra / Red Bull Content Pool)
Brasileiro, quando tira férias, vira fiscal do tempo. Quer sol, praia, sossego. Nascido em Fortaleza, Marcilio Browne também vigia as condições climáticas, mas o que ele menos quer é tranquilidade. Vai atrás mesmo é das tempestades. Aos 24 anos, é o único brasileiro na final do Storm Chase, evento mundial de windsurfe em territórios extremos, confirmado apenas após anúncios de tormentas que afastariam qualquer turista da praia. No mês passado, na Tasmânia, na costa sudeste da Austrália, o cearense garantiu sua vaga na decisão do torneio, que aguarda a próxima "janela" de tempestades para ter sua final marcada. Radical ao extremo, o atleta encarou ondas de até nove metros e ventos de quase 100km/h. Agora, não vai tirar o olho do computador nas próximas semanas, sempre monitorando as condições do tempo para saber onde vai ancorar com sua prancha.
- É legal, pois é um formato diferente de tudo que eu já havia feito. Estamos indo para lugares novos e com toda a estrutura já organizada. Ao mesmo tempo, pode ser um pouco difícil, pois temos que estar sempre de "stand by". Só esperamos entrar uma tempestade em algum dos picos selecionados (Japão, França, EUA, Espanha, Islândia, Irlanda e Tasmânia). Daí temos que chegar no pico em até 48h, claro, com a logística da organização durante a viagem - explicou Marcilio.
Mosaico Brasileiro desafia tempestades ao redor do mundo - windsurfe (Foto: Editoria de Arte)
Duas etapas da Storm Chase já foram disputadas. E a dinâmica é simples. Dos dez atletas que começaram na primeira competição, em Brandon Bay, na Irlanda, seis avançaram para a segunda, na Tasmânia. De lá, quatro se classificaram para a próxima e última etapa, que aguarda a próxima tempestade para ser confirmada. Na final, Marcilio vai encarar três rivais: Thomas Traversa, da França, e Leon Jamaer e Daniel Bruch, da Alemanha.
- Eles organizam toda a estrutura do evento e nós praticamente só temos que chegar lá e competir. Eles pontuam as melhores ondas e saltos. A adrenalina faz parte, estamos sempre prontos para ir e agora vendo o que passamos nas duas primeiras etapas sabemos que a final não será fácil. Ainda não sabemos quando será a final, estamos aguardando a próxima tempestade, a janela de espera retorna no começo de outubro e daí em diante estaremos em "stand by" - disse o brasileiro.
Info_DESTINOS-ONDAS-GIGANTES (Foto: Infoesporte)
Pé e prancha quebrada
Desafiando tempestades das quais seres humanos normais desejariam distância, Marcilio também paga um preço pela coragem. Depois de tantas aventuras, já quebrou o pé duas vezes e cortou a cabeça em outras inúmeras situações. A mãe, acostumada, ele confessa, nem se preocupa mais como no começo.
- Ela acha um pouco perigoso mas já esta bem acostumada. Estou viajando e competindo desde os 13 anos, então ela já aprendeu a lidar com isso tudo muito bem. Também, passei por diversas situações, como quebrar equipamento longe da praia e ter que voltar nadando, quebrei o pé duas vezes, bati em fundo de coral e me ralei todo, bati a cabeça na prancha e me cortei. Mas, graças a Deus, nunca tive nada mais sério.
Marcílio Browne na Tanzânia (Foto: Sebastian Marko/Red Bull Content Pool)Marcilio ficou entre os quatro finalistas com sua atuação na Tasmânia (Foto: Sebastian Marko/Red Bull)
Marcilio começou no esporte em 1993, ao lado do pai, que competia internacionalmente. Quando voltava da escola, deixava os equipamentos prontos para velejar perto da casa da avó, que morava de frente para o mar de Fortaleza. O começo profissional veio em 2005, e em 2009 ele resolveu radicalizar na categoria "waves".
- No Brasil existem vários picos para praticar. Jericoacoara, Ibiraquera , São Miguel do Gostoso... Nunca velejei em nenhuma tempestade no Brasil, mas imagino que no Sul as chances seriam um pouco maiores - frisou Marcilio, que mora em Maui, no Havaí, e ainda não tem filhos para se preocuparem com suas aventuras.

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