Representante de empresa francesa detalha a proposta de construção de uma ponte flutuante interligando Areia Branca a Grossos
A
proposta de interligação da BR-110 (Mossoró-Areia Branca) à RN-012
(Grossos-Tibau) por meio de uma ponte flutuante construída com o uso de
tecnologia francesa continua sendo o assunto dominante junto aos
diversos segmentos locais e da região. A repercussão se deu depois que o
assunto foi tema de reportagem no O Mossoroense no início do mês e
ganhou os blogs e as redes sociais.
Diante da
expectativa gerada pela ideia, a reportagem resolveu se aprofundar no
tema, trazendo elementos que possam dar uma noção mais ampla e detalhada
do que seria o projeto proposto para tornar realidade um sonho antigo
não somente dos habitantes dos dois municípios beneficiados diretamente,
como também de toda uma região, tem como objetivo básico a interligação
com o estado do Ceará, encurtando significativamente a distância para a
capital Fortaleza, via Costa Branca.
Para isso, o Blog manteve contato com o diretor comercial da empresa Fondamax Brasil, no Rio de Janeiro, Sérgio Alexandria.
Ele
disse que a ponte flutuante em questão é, na verdade, um dos primeiros
projetos do segmento no Brasil. "Temos um projeto semelhante no Rio de
Janeiro para uma via de pedestres e ciclistas na Barra da Tijuca, com
3,5 quilômetros de extensão, cinco vezes maior que a do rio
Apodi-Mossoró", adianta.
Segundo Sérgio
Alexandria, que é natural do Rio de Janeiro, mas é filho de
areia-branquenses e conhece bem a cidade de Areia Branca, onde viveu por
muito tempo, além dessa proposta de interligação das rodovias BR-110 e
RN-012 por meio de uma ponte flutuante sobre o canal do rio
Apodi-Mossoró, ele conseguiu juntar informações e sugestões de moradores
que contribuíram com ideias muito construtivas para a cidade de Areia
Branca.
Uma das ideias, segundo Sérgio
Alexandria, seria a interligação da praia de Upanema com a Baixa Grande
por meio de uma ponte com a mesma estrutura da sugerida sobre o rio
Apodi-Mossoró, originando uma via costeira pelas falésias à beira-mar.
Outra
proposta que poderia ser viabilizada com uso da tecnologia da Fondamax
Brasil, também fruto de sugestão de um cidadão local, seria a construção
de uma via sobre a "levada" (uma espécie de esgoto a céu aberto que
passa por vários bairros), urbanizando assim esse setor crítico da
cidade e solucionando de uma só vez os problemas de saúde pública,
iluminação e segurança na área, deixando de ser esconderijo de meliantes
e foco de doenças. "Essa via sendo concebida pelo sistema Fondamax
também reduziria significativamente os custos, possibilitando a vantagem
de acabar de vez com esses problemas que duram há décadas", acrescenta.
De acordo com Sérgio Alexandria, a empresa
encarregada pela arquitetura da ponte flutuante é a Caique Niemeyer
Arquitetura e Design. O responsável pelo projeto arquitetônico é Caique
Niemeyer, bisneto de Oscar Niemeyer e sucessor do mestre da arquitetura
falecido recentemente aos 104 anos de idade.

Sérgio Alexandria com o bisneto de Oscar Niemeyer, Caique Niemeyer, que projetou a ponte
Um
aspecto importante nesse sistema Fondamax em relação ao projeto voltado
para Areia Branca é a funcionalidade ecológica e sustentável do
material e da construção em si. "Utilizamos materiais 95% reciclados a
100% recicláveis, não oferecendo nenhum risco de poluição do meio
ambiente. E a forma de aplicação do material não traz nenhuma forma de
descarte de resíduos, pois são preservados cada pé de mangue e espécies
animais e da fauna do rio", finaliza.
O sistema
Fondamax, com sede na França, veio para mudar os rumos da construção
civil no Brasil. A empresa tem projetos para conter as enchentes no
Pantanal Mato-grossense e Amazônia, como também nas demais zonas de
risco pelo país como o Vale do Itajaí, em Santa Catarina, por exemplo,
capaz de evitar futuras catástrofes.
Entre os
muitos aspectos positivos desse sistema de construções, está a
durabilidade do material, cuja previsão é de 400 anos. A economia em
relação ao convencional seria o tempo de execução reduzido, mão de obra
(já que é toda modular) e material (concreto, estruturas metálicas
etc.). Sobre os custos de um projeto como esse da ponte flutuante,
Sérgio Alexandria diz que só poderá fornecer informações precisas em
relação após os estudos geotécnicos.
Os materiais
para a estrutura consistem basicamente em poliestireno expandido com
revestimento de uma fórmula especial de concreto polímero fibroso e
concreto armado, em forma de blocos com acabamento asfáltico de última
geração, tipo utilizado em estradas europeias.
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