Jiu-jítsu, humor e incentivo: o último treino de Cigano em Las Vegas
Conheça os bastidores da parte final da preparação do campeão dos pesados do UFC para a luta contra Cain Velásquez
Direto de Las Vegas, EUA
Logo ao lado da porta, Cigano dava entrevista para uma emissora de TV do México, país de ascendência de Velásquez, e se esforçava para responder em espanhol às perguntas do repórter. Com ajuda de sua assessora, o brasileiro atendeu a equipe com o mesmo sorriso no rosto com que costuma tirar fotos com os fãs brasileiros. Após uma breve sessão de fotos com os mexicanos, Cigano dirigiu-se a uma pequena sala de aquecimento, onde encerraria sua preparação para o combate.
Auxiliado pelo técnico Luis Dórea e pelos treinadores Ramon Lemos e Glauber Feitosa, e pelo preparador físico André Piccoli, Cigano iniciou o aquecimento em uma das duas áreas acolchoadas montadas na sala (a segunda não foi usada). Sob o olhar atento dos jornalistas, Cigano alongou por cerca de dez minutos com Lemos, seu treinador de jiu-jítsu. Sempre brincando muito, o brasileiro se mostrava relaxado.
- Tive que raspar o corpo todo. Coisa esquisita! Vocês se raspam também? - perguntava aos repórteres, às gargalhadas.

- Vamos fazer um round de cinco minutos de manopla para que a imprensa registre. Depois, sem imagens, pessoal - determinou Dórea.
A manopla impressionou pela potência dos golpes, e pela agilidade de Cigano nas combinações de cruzados e diretos, como também pela facilidade com que executava os chutes altos, rápidos e fortes. Durante todo o tempo, Luis Dórea dizia palavras de incentivo ao seu lutador.
- Movimenta e joga o braço. Se a mão pegar, é nocaute. É o nocaute que nós buscamos. Isso! Boa! A luta é sua, o controle da luta é seu - repetia sistematicamente, enquanto Cigano golpeava Glauber Feitosa, que o auxiliava no treino.
Mas nada chamava mais a atenção do brasileiro que a baixa temperatura, que o fazia suar menos que de costume.
- É muito estranho treinar no frio. Você fica seco. Se fosse na Bahia, só no aquecimento eu já estaria ensopado de suor. Pra mim, a Bahia é o melhor lugar para treinar. Se você aguenta o treino lá, que é quente, aguenta em qualquer lugar - dizia o catarinense radicado em Salvador.
Antes de iniciar a parte de chão, também com Ramon Lemos, Cigano brincou mais uma vez. Agora, mostrando como é o seu estilo de alongar.
- Um agachamento e joga as mãos pro alto. Pronto. Alonguei! - disse o campeão.

- Caramba, Ramon. Isso aqui é perfeito. Vou ter que encaixar uma dessa na luta - vibrava.
Após quatro rounds de cinco minutos, com intervalos também de cinco minutos, Cigano sentou-se ao lado de sua equipe e iniciou uma animada resenha. Mais suado e ofegante, se divertia enquanto Lemos e Dórea conversavam sobre a sua melhora na "arte suave".
- O jogo dele está justo. Todos os movimentos estão sendo executados automaticamente. Não teve nenhum que ele não fizesse bem. Quando o Cigano treinou com o Márcio "Pé de Pano", que tem mais elasticidade, ele tinha que virar muito o corpo para fazer o movimento todo. Quando treinou com o Paulão, que é menos flexível, o jogo estava tão ajustado que o Paulão tomou um susto, e bateu logo no início dos movimentos - disse Ramon.
O descanso que precedeu as entrevistas teve Cigano fazendo sons no estilo "Beat Box", e muitos casos contados por toda a equipe, principalmente acontecidos em Las Vegas, sem que a maioria dos compenentes do time fale inglês.
No fim, às 23h de Las Vegas (cerca de 5h do Brasil), o brasileiro atendeu aos repórteres brasileiros presentes sempre com o mesmo sorriso, com que iniciou os trabalhos. Se depender do bom humor e da confiança, Cigano está com uma boa parte do caminho percorrido para defender o seu cinturão.
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